domingo, 26 de março de 2017

Altruísmo

Ele olhou para o céu
Me chamou
Fui ao seu encontro
Estava bem escuro no caminho
Mas iluminei os passos 
Para esse encontro

- Estrela, linda estrela
Como brilhas, linda estrela
E tu brilhas na minha direção
Iluminando a mim
Que sortudo eu sou!
Será que um dia
Terei um lugar no céu para 
Brilhar como você e a ter junto a mim?

Amorosamente
Dia e noite
Noite e dia
Eu pedi ajuda ao sistema
A poeira que criava estrelas
E juntos conspiramos
Para transformar aquele ser humano
A ponto de se ver como estrela que já era
Reconhecer a sua luz

O objetivo sempre foi
Despertar o brilho interior
O sistema sabia que tinha de ser assim
Havia muito vazio no universo
Muito espaço para ser preenchido
De luz, de cores, de calor!

Mas eu, estrela
Estrela que carregava em si esperança
Esperança de um sonho infundado
Egoísta e sonhadora
Contra as minhas próprias leis
Me apaixonei

Acreditei nas promessas do humano
De vivermos como
Dois pontos luminosos no céu
Um iluminando o outro
Só nós dois
Em um cantinho só nosso

Mas isso nunca foi possível
Briguei com o sistema
Briguei com o universo
Eu não tinha tamanho nem luz para isso
Eles compõem a constelação
Nós, estrelas, só brilhamos 

Sou estrela guia
E toda estrela guia sabe
Que quando você ilumina um homem
Ele se torna um sol
E um sol cria seu próprio sistema

A própria física já diz:
O sol é a estrela grande
A estrela, é apenas a estrela distante

Mas pela imensidão do tempo e espaço
O sonho está concretizado
O que importa é o brilho da luz
Eu como estrela, guio com ela
Ele como sol, vai iluminar tudo que entrar em órbita

No céu, é isso que chamamos de amor
Altruísta
Alto está!
Lúcia Fernandes Bonito

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ser Amigo

Ser amigo é  ser calma, tranquilidade;

É estar contigo e sentir felicidade;

É sentir o que sentes e estar presente;

É estar alegre sem motivo aparente.



É ser estrela brilhante e reluzente;

É olhar  para ti  e sorrir de contente;

É aquele que dá sem qualquer recompensa;

É aquele que é feliz com  tua presença.



É aquele que quer contigo sempre estar;

É aquele que vibra com o teu sucesso;

É aquele que te deseja progresso.



É aquele que te ouve e  fala com o olhar;

É aquele que contigo segue em frente;

É aquele que,  p’ra ti, está sempre presente.
                                                                              


Poema de - Zélia Chamusca.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016


Sabes-me tão bem

Os teus beijos sabem-me a doçura e os teus abraços a confiança. 
As tuas palavras são a trilha de uma estrada onde avançamos juntos, de mãos dadas e a sorrir. Tens um olhar que me ilumina na escuridão e um sorriso que me faz esquecer o mundo e viver para ti. No teu toque sinto a seda pura, 
leve e brilhante que me faz tremer, não por ter valor mas porque é bela, é única e feita por uma grande obra da humanidade, tal como tu.
 O teu jeito de andar é incomparável, reconheço-o ao fundo de tudo, no meio de todos.
 Reconheço o teu corpo em qualquer multidão, identifico a tua voz entre tantas outras. 
Asseguro-me que são as tuas mãos que tocam nas minhas, mesmo de olhos fechados e distingo o teu cheiro entre o meu, quando se entranha na minha roupa.
 Não és melhor, nem pior, nem maior, nem mais grandioso…
 és uma mistura de imensas qualidades que te definem e de defeitos que te respeito.
 És apenas tu, o homem que amo,
 a força que me levanta e a corda inquebrável que nos liga aos dois num simples sentimento que nos é comum. Não interessa o passado nem o futuro. Somos um presente…
 somos só nos dois.
Paula Fernandes e Sousa




sábado, 13 de agosto de 2016

Meu pai disse-me um dia:

"- Filho... você terá três tipos de pessoa na sua vida: 

Um amigo, aquela pessoa que você terá sempre em grande
estima, que sabe que poderá contar sempre; 
que bastará você insinuar que está precisando de ajuda e 
a ajuda está sendo dada; 

Um amante, aquela pessoa que faz o seu coração pulsar;
que fará com que você flutue e 
nada importará quando vocês estiverem juntos; 

Uma paixão, aquela pessoa que você amará, 
desejará incondicionalmente, às vezes nem lhe importando 
se ela lhe quer ou não, 
e talvez ela nem fique sabendo disso. 

Mas, se você conseguir reunir essa três pessoas numa só 
- pode ter certeza, minha filha: 

- VOCÊ ENCONTROU A FELICIDADE."
Augusto Schimanski.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Pudera eu

Pudera eu devolver-te a leveza dos pássaros
para que voasses nas margens do rio
o sorriso que, desperto, em teu olhar
te ilumina o entardecer.
Pudera eu retirar todos os limos
que te resvalam nos gestos
a fragilidade do chão, escorregadio
sob os teus pés vacilantes.
Pudera eu devolver-te num raio de sol
a seiva a pulsar, qual primavera em apogeu
a cingir-te nos braços, o rio ao amanhecer.
Pudera eu atrasar os ponteiros do relógio
para te retardar no rosto os teus olhos cor de rio.

Texto
Ailime.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Nós, Poetas

Nós, Poetas, somos prisioneiros das noites de Luar,
Sonhadores que sonham acordados nas madrugadas solitárias,

Contempladores de estrelas frias, soltas e sem par.
Ah! Nós, Poetas...

Perdemos a contagem até dos nossos dias,
Compondo versos e reversos,

De vidas felizes e de vidas vazias!
Somos dominados por pensamentos de asas,

Fazemos voos rasantes e atravessamos mares e oceanos,
Despertamos até os diamantes!

Nós, Poetas, somos como loucos,
Levados nos braços do vento,

Pra longitudes e altitudes extremantes.
Entregamos suspiros e beijos,

Em linhas de doces poesias.
Somos apaixonados e até exagerados,
Poetas poetantes da arte de amar.
Rozilda Euzebio Costa

sexta-feira, 6 de maio de 2016


Mãe..
Que ao dar a benção da vida, entregou a sua…

Que ao lutar por seus filhos, esqueceu-se de si mesma…

Que ao desejar o sucesso deles, abandonou seus anseios…

Que ao vibrar com suas vitórias, esqueceu seu próprio mérito…

Que ao receber injustiças, respondeu com seu amor…

E que, ao relembrar o passado, só tem um pedido:
 “Deus, proteja meus filhos por toda a vida”

Para você mãe, um mais que merecido:
 FELIZ DIA DAS MÃES

domingo, 10 de abril de 2016


Delirios de uma noite 
onde os sonhos ganham vida ,
que correm como um rio que se dissipa 
em aguas de calmia .

Estranhamente num lindo amanhecer 
acordo da ilusão dos meus sonhos reais,
e apenas vejo que não passam de recordações 
de uma linda noite de sonhos .

Que lindas recordações 
que me trazem lagrimas de ver ,
tamanha realidade tao diferente 
dos meus sonhos .

Sera insensatez ou punição 
tamanho momento de angustia ,
entre o dormir e o acordar, 
entre o sonho e a realidade.

Não saberei responder ,
talvez seja apenas uma certeza 
que nem tudo e como o sentimos 
mas sim como o vivemos .

Apenas sei  que navego 
repousante em sonos profundos ,
onde nos meus sonhos reina
a esperança 
e a alegria de ver um mundo novo nascer.

Emanuel Moura..

sábado, 2 de abril de 2016


Penso tanto em você...
Mas por que penso em você?
Não sei. Mas penso...
Penso tanto
Que esse pensamento me consome.
É mais forte que eu.
Não sei controlá-lo.
Também não sei se quero.
Não sei defini-lo,
Mas o compreendo.
Não depende de mim,
Está acima da minha vontade.
Eu quero e ao mesmo tempo não quero.
Deixo minha mente livre 
E ela se ocupa com você.
Se prendo, tranco, não abro, 
Você fica preso nela,
Pois você já está lá.
Se tenho que escolher
E decidir o que fazer,
Prefiro continuar pensando,
Que penso em você...
Mesmo sem querer, poder ou dever.
Penso em você...
       
Nilcéa de Almeida

sexta-feira, 25 de março de 2016


Páscoa é vida nova
Esperança…luz…
A presença de Jesus
Que em todos se renova

Páscoa é deixar a prisão
De uma vida ensimesmada
Rompendo lápides, portas fechadas
Para ir ao encontro do outro, nosso irmão

Páscoa é fraternidade, amizade e comunhão
Um tempo para se estender os braços, abrir o coração
Para se doar…receber…partilhar…

Páscoa é sobretudo um momento para amar
Que nesta Páscoa, em Sua infinita bondade, o Senhor
Renove em todos nós a paz…a vida…o amor…

Walter P. Pimentel.

quinta-feira, 3 de março de 2016


Fome de vida...

Eu quero e preciso viver
Os gestos esquecidos
A entrega de uma flor
O olhar franco
O abraço intenso
O toque das mãos quentes
Os sonhos indecisos.

Eu quero e preciso viver
As gentilezas perdidas
O passo largo, a corrida
O amor romântico
O bom e velho pranto
A valsa adormecida.

Eu quero e preciso viver
O cheiro de mato
A gota de orvalho
As chuvas caídas
A relva que agasalha a grama
A vida de fato.

Eu quero e preciso viver
Todas as fases da dor
Tocar com meus dedos a ferida
Dissipar para sempre o dissabor.

Eu quero e preciso viver
Um dia inteiro... uma noite toda
Sentir com os olhos atentos a cor do Sol, nas alvoradas
Depois de tudo isso, não há mais nada...
Descanso em paz!
Minha alma jaz
Dentro de tudo aquilo
Que quis e desejei viver...

Malu Silva
Postado por Malu Silva ..
http://momentosbrancoepreto.blogspot.com.br

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


O nosso caminho é feito
Pelos nossos próprios passos,
Mas a beleza da caminhada
Depende dos que vão conosco!
Assim, que neste Novo Ano que se inicia
Possamos caminhar mais e mais juntos
Em busca de um mundo melhor, 
Cheio de Paz, Saúde, Compreensão e 
Muito Amor!
O ano se finda e tão logo o outro se inicia
E neste ciclo do ir e vir
O tempo passa... e como passa!
Os anos se esvaem e nem sempre 
Estamos atentos ao que realmente importa.
Deixe a vida fluir e perceba, entre tantas 
Exigências do cotidiano,
O que é indispensável para você!
Ponha de lado o passado e até mesmo 
O presente, e crie uma nova vida, 
Um novo dia, um novo ano que ora se inicia!
Crie um novo quadro para você!
Crie, parte por parte, em sua mente,
Até que tenha um quadro perfeito para o futuro
Que está logo além do presente.
E assim dê início a uma nova jornada
Que o levará a uma nova vida, a um novo lar
E a novos progressos na vida!
Você logo verá essa realidade, 
E assim encontrará a maior Felicidade,
E Recompensa.
Que o Ano Novo renova nossas esperanças,
E que a estrela crística 
Resplandeça em nossas vidas e o fulgor 
Dos nossos corações unidos intensifique
A manifestação de um Ano Novo 
Repleto de vitórias, e que o resplendor 
Dessa chama seja como a tocha 
Que ilumina nossos caminhos para a 
Construção de um futuro, repleto de alegrias,
E assim tenhamos um mundo melhor!
A todos vocês companheiros
Que temos o mesmo ideal,
Amigos que já fazem parte da minha vida,
Desejo que as experiências próximas 
De um Ano Novo lhes sejam construtivas, 
Saudáveis e harmoniosas!


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Em tua taça.


Em tua taça,
Nobre e de puro cristal,
Em que a vida se emoldura e canta
Como o som de um lindo musical.

Eu, sentimental
Sonho e te procuro,
Levando o meu coração a ouvir
Seu canto belo e triunfal.

Em tua taça
Cabe os sonhos,
E tudo o que em nós palpita.
Além de uma emoção infinita!

Meu frasco nobre e puro
Em que a beleza se eterniza,
Em ti sorvo em goles lentos,
O maravilhoso vinho da vida.

Mariângela Vieira.
http://mlvieira.blogspot.com.br/2015/08/em-tua-taca.html

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Estrela.


Queria eu

Ser uma estrela

E te acordar

No meio da madrugada

Com meu brilho.

Eu te deixaria lúcido,

Te envolveria

Com minha luz

E te faria

Seguir o meu trilho.

Te abraçaria

Em lugar deserto

E te amaria tanto

Que você, por certo,

Já não iria querer

Voltar pra casa.

Mas,

A luz do sol chegando,

Eu iria embora

Para sonhar

Com meus doces momentos.

E te deixaria assim,

 De tal modo amado

Que cada dia,

Você esperaria

Ansiosamente

A chegada da madrugada...

Letícia Thompson..

quarta-feira, 29 de julho de 2015


Dois horizontes fecham nossa vida:  
 Um horizonte, — a saudade  Do que não há de voltar; 
 Outro horizonte, — a esperança  Dos tempos que hão de chegar; 
 No presente, — sempre escuro,—  Vive a alma ambiciosa 
 Na ilusão voluptuosa  Do passado e do futuro.
   Os doces brincos da infância  Sob as asas maternais,  O vôo das andorinhas,  
A onda viva e os rosais;  O gozo do amor, sonhado  Num olhar profundo e ardente,  
Tal é na hora presente  O horizonte do passado. 
  Ou ambição de grandeza  Que no espírito calou, 
 Desejo de amor sincero  Que o coração não gozou;  Ou um viver calmo e puro  À alma convalescente, 
 Tal é na hora presente  O horizonte do futuro.   No breve correr dos dias  Sob o azul do céu, — tais são  Limites no mar da vida:
  Saudade ou aspiração;  Ao nosso espírito ardente,  Na avidez do bem sonhado,  Nunca o presente é passado,  Nunca o futuro é presente.
   Que cismas, homem? – Perdido  No mar das recordações,  Escuto um eco sentido  Das passadas ilusões.  Que buscas, homem? – Procuro, 
 Através da imensidade,  Ler a doce realidade  Das ilusões do futuro.   Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis

sábado, 25 de julho de 2015


Dois horizontes fecham nossa vida:  
 Um horizonte, — 
a saudade  Do que não há de voltar; 
 Outro horizonte, — 
a esperança  Dos tempos que hão de chegar; 
 No presente, — sempre escuro,—  
Vive a alma ambiciosa 
 Na ilusão voluptuosa  Do passado e do futuro.
   Os doces brincos da infância  Sob as asas maternais,  O vôo das andorinhas,  
A onda viva e os rosais; 
 O gozo do amor, sonhado 
 Num olhar profundo e ardente,  
Tal é na hora presente  O horizonte do passado. 
  Ou ambição de grandeza  Que no espírito calou, 
 Desejo de amor sincero  Que o coração não gozou;  
Ou um viver calmo e puro  À alma convalescente, 
 Tal é na hora presente  O horizonte do futuro. 
  No breve correr dos dias  Sob o azul do céu, —
 tais são  Limites no mar da vida:
  Saudade ou aspiração;  Ao nosso espírito ardente, 
 Na avidez do bem sonhado,
  Nunca o presente é passado, 
 Nunca o futuro é presente.
   Que cismas, homem? – 
Perdido  No mar das recordações,  
Escuto um eco sentido  Das passadas ilusões. 
 Que buscas, homem? – Procuro, 
 Através da imensidade,  
Ler a doce realidade  Das ilusões do futuro. 
  Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis

sábado, 7 de março de 2015

Poema Enviado pelo meu amado padrinho.
Emanuel Moura.


Menina e Moça
Está naquela idade inquieta e duvidosa, 
Que não é dia claro e é já o alvorecer; 
Entreaberto botão, entrefechada rosa, 
Um pouco de menina e um pouco de mulher. 

Às vezes recatada, outras estouvadinha, 
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor; 
Tem coisas de criança e modos de mocinha, 
Estuda o catecismo e lê versos de amor. 

Outras vezes valsando, e* seio lhe palpita, 
De cansaço talvez, talvez de comoção. 
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita, 
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração. 

Outras vezes beijando a boneca enfeitada, 
Olha furtivamente o primo que sorri; 
E se corre parece, à brisa enamorada, 
Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri. 

Quando a sala atravessa, é raro que não lance 
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar 
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance 
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar. 

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia, 
A cama da boneca ao pé do toucador; 
Quando sonha, repete, em santa companhia, 
Os livros do colégio e o nome de um doutor. 

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra; 
E quando entra num baile, é já dama do tom; 
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra; 
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon. 

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo 
Para ela é o estudo, excetuando talvez 
A lição de sintaxe em que combina o verbo 
To love, mas sorrindo ao professor de inglês. 

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço, 
Parece acompanhar uma etérea visão; 
Quantas cruzando ao seio o delicado braço 
Comprime as pulsações do inquieto coração! 

Ah! se nesse momento alucinado, fores 
Cair-lhes aos pés, confiar-lhe uma esperança vã, 
Hás de vê-la zombar dos teus tristes amores, 
Rir da tua aventura e contá-la à mamã. 

É que esta criatura, adorável, divina, 
Nem se pode explicar, nem se pode entender: 
Procura-se a mulher e encontra-se a menina, 
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher! 

Machado de Assis, in 'Falenas'

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Clarice Lispector

quinta-feira, 30 de outubro de 2014


Nós seguimos as estrelas
Porque elas nos pertencem.
Mas onde iremos com as estrelas?
Num caminho de sonhos e impossibilidades.
Mas mesmo nas impossibilidades
Ainda podemos sonhar.
Se é amor o que nos machuca,

Que pelo menos ele seja sublime.
Que seja amor ou paixão,
Que seja verdadeiro.
Que ele queime 
Tanto que queimam nossas almas, 
Tanto que não sabemos
O que nos reservam as estrelas.

Mas, se eu pergunto às estrelas,
De que será feito o amanhã,
Elas não respondem nada, 
Elas não sabem nada,
Elas só sabem brilhar,
Elas só sabem nos iluminar.
Porque nós também não sabemos
De que o amanhã será feito.
Talvez a gente se acorde...

Letícia Thompson
evanir_garcia@hotmail.com