sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Estrela.


Queria eu

Ser uma estrela

E te acordar

No meio da madrugada

Com meu brilho.

Eu te deixaria lúcido,

Te envolveria

Com minha luz

E te faria

Seguir o meu trilho.

Te abraçaria

Em lugar deserto

E te amaria tanto

Que você, por certo,

Já não iria querer

Voltar pra casa.

Mas,

A luz do sol chegando,

Eu iria embora

Para sonhar

Com meus doces momentos.

E te deixaria assim,

 De tal modo amado

Que cada dia,

Você esperaria

Ansiosamente

A chegada da madrugada...

Letícia Thompson..

quarta-feira, 29 de julho de 2015


Dois horizontes fecham nossa vida:  
 Um horizonte, — a saudade  Do que não há de voltar; 
 Outro horizonte, — a esperança  Dos tempos que hão de chegar; 
 No presente, — sempre escuro,—  Vive a alma ambiciosa 
 Na ilusão voluptuosa  Do passado e do futuro.
   Os doces brincos da infância  Sob as asas maternais,  O vôo das andorinhas,  
A onda viva e os rosais;  O gozo do amor, sonhado  Num olhar profundo e ardente,  
Tal é na hora presente  O horizonte do passado. 
  Ou ambição de grandeza  Que no espírito calou, 
 Desejo de amor sincero  Que o coração não gozou;  Ou um viver calmo e puro  À alma convalescente, 
 Tal é na hora presente  O horizonte do futuro.   No breve correr dos dias  Sob o azul do céu, — tais são  Limites no mar da vida:
  Saudade ou aspiração;  Ao nosso espírito ardente,  Na avidez do bem sonhado,  Nunca o presente é passado,  Nunca o futuro é presente.
   Que cismas, homem? – Perdido  No mar das recordações,  Escuto um eco sentido  Das passadas ilusões.  Que buscas, homem? – Procuro, 
 Através da imensidade,  Ler a doce realidade  Das ilusões do futuro.   Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis